quarta-feira, agosto 25, 2004

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COMO NOSSOS PAIS

Meus pais estão casados a mais de 25 anos (acho que 27, não importa) e na minha idade - 23 anos - eles já eram muito mais responsáveis que eu. Na minha idade minha mãe já estava pra casar com meu pai, com 27 já era mãe. Com 27 anos minha mãe jogou fora uma faculdade de administração para poder se dedicar ao filho, e logo após aos filhos - Somos dois irmãos eu acho, talvez fossemos três. Isso é pra outra história - e mais por fim a casa. Falando ainda de minha mãe, ela saiu de casa muito nova para poder estudar aqui na 'cidade', morou de favor na casa de uma família que com pouco tempo de casa se tornou parte dela, minha mãe foi 'adotada' - não no papel, mas sim no coração - por essa família. O legal disso é que as pessoas dessa família me tratam, ainda hoje, como um membro legítimo o que me deixa muito feliz e satisfeito. Meu Pai saiu da roça um tanto quanto cedo também, veio pra cidade morar na casa de uma irmã enquanto começava a arrumar sua vida. Irmã (do meu Pai e minha Tia, lógico) que pra mim é a segunda mãe, é o tipo de pessoa que se tem tudo com ela. A bondade em pessoa. Com alguns anos nas costas meu pai morava sozinho, trabalhava (no frisa), comprava suas coisas e deixava guardado no Chiqueiro onde morava. Pode parecer estranho, mas o local onde ele morava outrora era um chiqueiro que depois foi reformado dando a forma de um alojamento (que carinhosamente foi apelidado de chiqueira) por onde moravam vários empregados dessa fazenda. Com 27 anos já estava casado e com trinta já era pai. Meu pai ralou muito nessa vida, trabalhou desde moleque na roça e por ai vai.

Hoje, eu tenho 23 anos, ainda moro com meus pais, não tenho nada que possa ser chamado de MEU (só um par de calças e bermuda, além de poucas camisas e um par de sapatos), não sou independente apesar de trabalhar (sempre gostei de trabalhar, estou a seis anos nesse emprego e lavava carro antes disso aqui. Ajudei muito meu pai também entre outras coisas). Ainda dependo deles pra praticamente tudo. Se hoje eu estudo é por eles me ajudarem (não financeiramente, mas por todo o resto). Não tenho vergonha disso e nem tampouco fico chateado de não ter a metade da garra que meus pais tiveram (e ainda tem). Eu uso-os como espelho e pra me dar força pra quem sabe chegar à metade do que eles são.

Com 23 anos, não aprontei metade das coisas que meu pai aprontou quando tinha essa idade. Com essa idade ainda, não me diverti metade do que meu pai se divertiu quando jovem. Não tenho história pra contar se relacionado com o que meu pai vez e me conta. Mas certamente eu me orgulho de tudo (ou quase) tudo que fiz. E me orgulho mais ainda ao ouvir as histórias de meu pai e saber que meus filhos terão um avô formidável, assim como o meu avô (pai de meu pai) foi, e mesmo estando em outro plano, ainda (às vezes) sonho com ele. Sonho com nossas longas conversas sobre a vida, felicidade, e outras coisas mais que falávamos quando ele ainda habitava esse plano terreno. Deixo transparecer todos os dias que me orgulho dele tanto quanto (ou mais) ele se orgulha do pai que teve. Falo mais de meu pai pois sendo eu homem, meu contato com ele é maior, não tiro nenhuma linha do que disse para meu pai com relação a minha mãe. Certamente ela é tão formidável quanto meu 'velho'.

Meus filhos (de sangue e adotivos - parece estranho nos dias de hoje mas eu vou adotar. Farei um post só sobre minha vontade de adoção - que virão por aí) terão orgulho dos avós que terão. E quando eles tiverem a minha idade, quem sabe terão orgulho do pai que tiveram. Mas ficaria satisfeito se meus filhos tiverem o prazer de conviver com meu pai tanto quanto eu convivi. E de passar pra eles as histórias e risadas que tive e ainda tenho. E se eu não for um excelente pai, ao menos um avô desgracento de massa eles terão.
¡

Antigo postem no outro mais acima :P



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