quinta-feira, novembro 01, 2007

Waiting for the Great Pumpkin

Eu sei, é uma vergonha não aparecer por aqui mais freqüentemente, e não vou dar nenhuma desculpa esfarrapada. Ao invés disso, vou escrever aqui algumas coisas nas quais andei pensando nos últimos tempos.

Nascido e criado em familia católica, durante os primeiros anos da minha vida freqüentei a igreja e segui direitinho todo o roteiro, com primeira comunhão e tudo. Mas chegou uma idade (acho que foi uns 16 anos) que comecei a questionar muitas das coisas que comecei a achar meio estranhas.

A primeira delas foi o fato de, durante a biblia, Deus ter dizimado soh no diluvio a população inteira da Terra, fora quando jogou bolas flamejantes em cima de Sodoma e Gomorra só pq eles curtiam uma putaria. Em contrapartida, nosso tão odiado Satã não fez mal pra nenhuma mosca, no máximo foi pro deserto falar pra Jesus que ele tava ficando muito loco de ficar perambulando por lah.

Ta certo, esse foi um exemplo meio tosco, mas realmente pensei muito sobre os dogmas fundamentais da igreja, e percebi que mtos iam contra as palavras do proprio cabeludo, que dizia que o Senhor é unipresente e a Igreja não precisa de ter paredes, estah em todo lugar.

E assim me declarei oficialmente fora de igreja católica, apesar de que considero muitas idéias legais e que podem trazer muita coisa boa pra vida das pessoas (assim como em todas as religiões).

Mas ao mesmo tempo não consigo descartar a idéia de que tem alguma coisa acima de tudo isso que a gente vê por ai, mas isso é assunto pra outro post. Inclusive, ninguem precisa comentar nada do que ta escrito aqui, porque para fazê-lo vocês precisariam ouvir tudo o que eu penso, e isso demoraria o equivalente a comer umas 8 saladas de couve com torresmo do coelho.

O grande lance é que, acreditando em Deus mas sem participar de nenhum grupo em particular, me senti um cara no meio do oceano com um bote mas sem nenhum remo. Por isso comecei a ler por ai pra ver se me identificava com alguma coisa. E por incrível que pareça, fui encontrando pedacinhos da minha "crença" perdidos pelos mais inesperados lugares.

O primeiro deles foi no filme Bill & Ted (HEIN???????), que sempre repetiam a mesma frase: "Be cool to each other" (sejam legais uns com os outros). Essa frase teve um impacto imenso sobre mim, mto mais do que os bilhões de pais nossos e aves marias repetidos durante a minha infância. Pra mim, ela resumia com uma perfeição e precisão incrivel a solução pra todos os problemas do mundo, seja legal com as outras pessoas. A partir dai resolvi adota-la como primeiro mandamento do meu estilo de vida: esquecer tudo o que me ensinaram que é certo e errado, permitido ou pecado, bom ou mal. Simplismente sigo minha vida refletindo se meus atos poderão surtir algum efeito negativo sobre as pessoas que eu amo e estão próximas a mim, e é claro, sobre mim mesmo.

Depois, escutando algumas bandas novas, me deparei com a infelizmente-não-tão-conhecida Lynyrd Skynyrd, mais precisamente com a letra da musica "Simple Man", que adotei como segundo mandamento. Leiam se tiverem a oportunidade, ela passa uma mensagem muito legal de como as pessoas deveriam seguir com as suas vidas.

Seguindo a minha caminhada a procura de mais dogmas pra minha crença particular, me deparei com mais um elemento encontrado em local inesperado:

Linus van Pelt é o irmão de Lucy e o melhor amigo de Charlie Brown na HQ da série Peanuts de Charles Schulz. Apesar da tenra idade, Linus é muito observador e erudito, agindo como o filósofo e teólogo da série, mencionando freqüentemente o Evangelho.

Todos os anos, nas noites de Halloween, Linus vai a um grande canteiro de abóboras esperar por uma figura mística, a Grande Abóbora. Segundo ele, a Grande Abóbora ira aparecer voando sobre o canteiro, entregando presentes a todas as boas crianças. Invariavelmente, a Grande Abóbora nunca aparece, e um humilhado mas perseverante Linus volta pra casa, para esperar pelo próximo Halloween.

Esse ano, comprei uma abóbora no sacolão aqui perto de casa, peguei minha cadeira, sentei na area que tem aqui fora e la passei a meia noite do dia 31 de outubro. Claro, não acredito na Grande Abóbora em si, mas foi um jeito de agradecer ao Linus por mais um "pedacinho" que ele me ajudou a achar.

A grande questão é que toda a historia da humanidade foi escrita pelo principio da Grande Abóbora: desde que o homem das cavernas começou a adorar a chuva e os relâmpagos, chegando às religiões modernas, tudo isso foi sempre impulsionado pela mesma coisa: todas as pessoas na face da Terra se sentem inseguras e incompletas, e quem disser o contrario é hipócrita ou seriamente doente. Todos passamos nossas vidas procurando pela nossa Grande Abóbora, aquilo que vai nos completar, confortar. Seja Deus, uma carreira de sucesso, uma pessoa ou apenas uma idéia. Essa idéia me ajudou a colocar as coisas em perspectiva e ajudar a na construção da resposta para a famosa pergunta: "O que estamos fazendo aqui?" (que nunca vai ser respondida, diga-se de passagem).

Bem, melhor ir ficando por aqui, porque post grande ninguém gosta muito de ler... soh queria pedir pra se alguém for comentar esse post, que minhas idéias e opiniões não sejam o assunto. Pra explicar exatamente o que penso, como ja disse, ia gastar muito mais saliva do que suas orelhas suportariam, esse post ficou tão supercifial que chegou a me incomodar.

Esse ano a minha Grande Abobora não apareceu... mas quem sabe logo ela pinta por ai?

E a sua, ja deu as caras?

Antigo postem no outro mais acima :P



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