domingo, janeiro 06, 2008

VOCÊ É O QUE OUVE

Fonte: http://www.cifras.com.br/noticia.asp?794

Resumo: Uma matéria muito interessante no site Blitz falando sobre um estudo científico publicado na revista Super Interessante (edição número 117, de Janeiro de 2008) explicando a relação entre o gosto musical e a personalidade.
É bastante interessante e resolvemos publicá-la aqui também. Damos o crédito da notícia a Diogo, usuário do Blitz que foi quem enviou o artigo e à galera do Blitz, que foi quem o editou.




Sabia que o jazz e os blues agradam a pessoas inteligentes, abertas e pouco adeptas do desporto? E que a música pop e country são escolhidas por pessoas mais convencionais e otimista? Pois é o que demonstram os estudos da neuromúsica.

Acid house, Bossa nova, Chill out, Jazz, Country, Dance, Gospel, Indie, Rock, Soul, Rap, Salsa, Reggae, Punk, opera, fado, samba; Há música para todos os gostos E o que revelam sobre nós esses gostos, a nossa coleção de discos ou os temas gravados no iPod? Muito mais do que imaginamos, segundo os últimos estudos.

Para começar, as preferências musicais de cada individuo definem a sua personalidade, e os psicólogos Peter J. Retfrow e Samuel D. Gosling, da Universidade do Texas, conseguiram demonstrá-lo cientificamente. Há alguns anos, conceberam o Teste Breve das Preferências Musicais (STOMP, na sigla inglesa) e submeteram as suas perguntas a várias centenas de jovens. Segundo se depreende dos resultados, publicados na revista Journal Of Personality and Social Psychology, se o leitor for adepto de blues ou do jazz, é provável que seja inteligente, imaginativa, tolerante e liberal, além de aberto a novas experiências.

Os consumidores de heavy metal partilham a inteligência, mas são, além disso, especialmente curiosos, atléticos e habituais "cabecilhas" sociais. Extroversão, loquacidade, energia e uma auto-estima elevada são as características predominates entre os fãs de hip-hop e funky. E os que gostam de ouvir Madonna ou a banda sonora de Danças com Lobos costumam ser pessoas conservadoras, endinheiradas, agradáveis e, muitas vezes, emocionalmente instáveis.

Os amantes de Ópera são perigosos ao volante
Podemos deduzir muito mais do que isso das entrelinhas da nossa lista de canções preferidas. Um dos primeiros a intuí-lo foi o psicólogo britânico Adrian North, da Uni de Leicester, que realizou uma sondagem pormenorizada, em 2006, junto de mais de 2500 indivíduos escolhidos ao acaso em meios universitários, centros comerciais e estações ferroviárias da UK. No questionário, incluía perguntas sobre os gostos musicais, mas também sobre as habilitações literárias, situação laboral, relações pessoais, rendimentos anuais, crenças e hábitos de consumo. Os resultados foram uma grande surpresa.

Tal como indicam os estereótipos, os indivíduos com um nível superior de educação e maiores rendimentos revelaram-se os principais apreciadores de ópera e música clássica. No entanto, eram também péssimos condutores: quase metade incorrera recentemente numa infração de transito, o dobro do numero de inquiridos que tinham escolhido os musicais como categoria preferida.

O estudo também indica que os que mais viajam são os fãs de dance e house. Os amantes do rock e pop dos anos 60 são os mais atingidos pelo desemprego do que os restantes, mas isso poderá estar relacionado com a sua faixa etária. Os apreciadores de ópera são os que lavam o cabelo com menos freqüência. No extremo oposto, encontramos os consumidores de eletrônica, que são também os que mais exercício físico praticam, seguidos dos adeptos do rap e de música indie.

Quando se trata de consumir álcool, os números indicam que quem bebe menos são os fãs dos filmes musicais, que juntamente com os apreciadores de ópera, costumam preferir o vinho à cerveja e fumam pouco. As taxas mais elevadas de promiscuidade e os maiores índices de criminalidade foram encontrados entre os que ouvem hip-hop.

São também os menos partidários da reciclagem e energias renováveis.
O estado cível também deve ser tomado em consideração. Os solteiros, segundo North, têm maior propensão para ouvir música DJ, hip-hop, dance e house. Porém, quando iniciam uma relação estável, passam a gostar de country, blues, pop e música clássica.

Quando começam a tomar forma todas estas preferências musicais? Embora processemos os sons desde a nascença, os gostos apenas se consolidam entre os 16 e os 24 anos de idade, conclui North, embora adiante que nada é imutável. "Os nossos gostos podem tornar-se mais sofisticados à medida que envelhecemos, nomeadamente porque o cérebro escutou mais música e pode processar coisas mais complexas", afirma o psicólogo. Seja como for, assegura que "não é provável alguém passar de Britney Spears para Beethoven".

É por isso que se verifica exceto se formos acometidos por algum tipo de distúrbio mental, como aconteceu, há alguns anos, com um italiano de 68 anos. Os médicos que lhe tinham diagnosticado demência fronto-temporal descobriram que abandonara, subitamente, o hábito de ouvir música clássica, para escutar no máximo volume um conhecido cantor pop italiano, cujas canções lhe tinham sempre merecido o epíteto de "ruído de merda".

A mudança, explicou o investigador Giovanni Frisoni, não foi observada noutros tipos de demência, como a doença de Alzheimer, e pode ter base neurofisiológica. "Para quem tem mais de 60 anos, a música pop é um fenômeno novo", sublinha Frisoni. Estudos anteriores já tinham sugerido que as novidades são processadas pelo lóbulo frontal direito, e que um eventual predomínio deste sobre o esquerdo, causado por uma lesão, poderia levar o individuo a descobrir, entre outras coisas, novos estilos musicais.

Gostos semelhantes partilhados online
Evidentemente, a música não é assunto secundário. Por isso, não será de estranhar que o tema de conversação mais comum entre dois desconhecidos que pretendem formar uma primeira opinião sobre a pessoa que têm na sua frente não seja o estado do tempo nem a programação televisiva, mas sim os gostos musicais.

Perante esse fato, o investigador Stephan Baumann, do Centro de Investigação Alemão para a Inteligência Artificial pôs mãos à obra e criou uma aplicação para celulares que permite aos utilizadores partilharem informação sobre os artistas e grupos preferidos através de Bluetooth. O objectivo é identificar na vizinhança ou nas pessoas que tomam o pequeno-almoço, todas as manhas, no mesmo café, as que partilham os mesmos gostos musicais.

Com o MOG nem sequer existem limites espaciais. Trata-se de uma rede social on-line criada por um antigo executivo da MTV, David Hyman, que se tornou um local de encontro habitual para melómanos de todo o mundo. O MOG analisa automaticamente o tipo de música que os utilizadores ouvem enquanto estão ligados ao site e mostra-lhes uma lista de moggers com gostos semelhantes.

O lema não deixa margem para duvidas: "Descubra pessoas através da música e música através de pessoas". A mesma filosofia preside ao Last.Fm, outro serviço on-line "inteligente" que consegue perceber as nossas preferências musicais e nos propõe além disso, a descoberta de novos artistas. As indicações, segundo os utilizadores, são infalíveis.
Está em todo o lado: no carro, no ginásio...

Os que defendem, como North ou Rentfrow, a necessidade de estudar com maior profundidade o papel da música nas nossas vidas recorrem a um argumento simples, mas incontestável: a sua ubiqüidade. Escutamos música no carro, no Metro, enquanto fazemos exercício físico, no trabalho, quando vamos às compras no supermercado, quando saímos para beber um copo.

Além disso, a música está presente nos momentos e locais em que as pessoas se reúnem: nos casamentos e funerais, durante as competições desportivas, no decurso de uma cerimônia religiosa, num jantar romântico ou em qualquer festa digna desse nome.

Precisamente devido a essa onipresença, talvez não devêssemos ouvir sempre o que mais nos apetece e, sim, o que mais nos convém. É o que defende Daniel Levitin, ex-produtor musical de Stevie Wonder e de Carlos Santana e actual director do Laboratory For Music Perception, Cognition and Expertise da Universidade McGill, em Montreal (Canadá), onde se dedica ao estudo da neurociência no campo da música.

O seu projeto mais recente é o Life Soundtrack (Banda Sonora da Vida), um estudo patrocinado pela Phillips com o objetivo de analisar os efeitos da música na nossa vida.

Levitin demonstrou que a música pode induzir importantes alterações físicas e psicológicas, depois de avaliar variáveis como o ritmo cardíaco, a pulsação, a tensão arterial, a condutividade da pele, a transpiração na palma das mãos, a respiração e as ondas cerebrais. Recorreu, também, à ressonância magnética funcional para analisar as alterações na irrigação sanguínea do cérebro e estudar, desse modo, a sua atividade enquanto ouvimos diferentes melodias.



A NOSSA DISPOSIÇÃO VARIA AO COMPASSO DOS SONS

Comprovou, entre outras coisas, que a música modifica os níveis de dopamina, adrenalina, noradrenalina e serotonina, substâncias relacionadas com o estado de espírito com que enfrentamos o mundo que nos rodeia. Na posse desses resultados, Levitin elaborou uma lista de conselhos sobre o gênero mais apropriado para efetuar cada atividade do dia-a-dia. A principal recomendação é clara: a pessoa deve criar a sua própria experiência musical.

Assim, por exemplo, enquanto lemos ou estudamos disciplinas como História ou Literatura, a música clássica, o jazz, os blues e a música techno favorecem a concentração. Fazer exercício requer outro ritmo. O mais adequado para motivar os atletas e aumentar o seu rendimento, afirma Levitin, é um ritmo forte e acelerado. Para os militares, a marcha rápida tem um tempo de 120 batidas por minuto (BPM), enquanto a marcha dupla equivale a 240 bpm.

Uma boa sintonia para fazer exercício seria I Feel Good, de James Brown, com 146 bpm, semelhante ao tema Hung Up, de Madonna, igualmente aconselhado. Antes de ir para a cama, convém baixar para os 60-70 bpm, com obras com a canção de embalar de Brahms. Beethoven não é boa opção para quem quiser relaxar.

O que faz um êxito é a popularidade
Poderemos prever, com base neste conhecimento, os temas que irão ocupar os primeiros lugares do hit parade? Nem por sombras. O êxito de uma canção não é determinado pela qualidade, mas pela sua popularidade, segundo um estudo recente publicado na revista Science. Os autores, Matthew Salganik e os seus colegas da Universidade de Columbia (Nova Iorque), conceberam, há dois anos, uma original experiência na Internet: um mercado musical virtual, com 48 temas pouco conhecidos que foram submetidos à apreciação de 14 mil pessoas.

Os participantes podiam atribuir até cinco estrelas a cada música. As votações baseavam-se, separadamente, na qualidade da música e das letras. Porém, quando os utilizadores ficavam a conhecer a avaliação dos outros, o top 10 mudava drasticamente. As pessoas escolhiam o que pensavam agradar mais aos outros. "É o grande paradoxo dos mercados culturais: o êxito é imprevisível", explica Salganik, lembrando que os indivíduos não costumam tomar decisões sozinhos na vida real. "Em geral", acrescenta, "as melhores canções nunca ficam muito mal classificadas e as piores não recebem boas notas, mas qualquer resultado é possível."

Heavy Metal: Tipo de personalidade; Curiosos, inteligentes, atléticos, seguros de si.

Jazz/Blues: Tipo de personalidade; Inteligentes, criativos, liberais e tolerantes.

Ópera/Clássica: Liberais, perspicazes, com níveis de educação superiores e maiores rendimentos do que a média, majoritariamente casados.

Rap/Hip-Hop: Tipo de personalidade; Extrovertidos, loquazes, enérgicos, elevada auto-estima.

Pop: Tipo de personalidade; Felizes, generosos, previsíveis e convencionais, são considerados pessoas atraentes.

Rock: Tipo de personalidade; Ativos, aventureiros e com maior tendência do que a média para se declararem ateus.


Redação Cifras

Antigo postem no outro mais acima :P



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